HAKOL TZAFUI VEHARESHUT NETUNA

Esta semana leremos na Torá sobre um dos conceitos mais importantes que todo ser humano deveria ter e que, na maioria dos casos, pareceria como se nós o tivéssemos esquecido. A Parashá desta semana nos traz o relato onde Moshé previne o povo sobre seus pensamentos.
Ao que parece, Moshé tinha medo que o povo, uma vez na Terra Prometida, começasse a pensar e agir baseado no sentimento de crer como se tivesse sido ele que conseguiu superar todos os obstáculos para a liberdade, esquecendo que tudo foi possível graças, pura e exclusivamente, à ajuda Divina que, em todo momento, o acompanhou.
Este ensinamento de nosso grande mestre, Moshé Rabeinu, hoje em dia, em diversas oportunidades, encontramos como se tivesse sido esquecido. Um ensinamento de mais de 3500 anos, o qual nos instrui em poder ser humildes e reconhecer nossos limites é facilmente esquecido e nos coloca em uma situação totalmente adversa.
Facilmente, dia a dia, podemos nos encontrar com pessoas que são arrogantes e soberbas, as quais, além destas qualidades, podemos ver como atribuem conquistas a si próprios, quando realmente não é bem assim. Ou bem, muitas vezes ,encontramo-nos com aqueles que, com o afã de se sobressair, constantemente encontram-se marcando e relatando suas conquistas e acertos. Ninguém disse que está errado poder se orgulhar daquelas ações que levam a que uma tarefa ou ato tenha êxito. Mas, se sempre temos a mesma premissa em nossos lábios, como será a recepção do nosso discurso para com a pessoa que nos escuta? Ou ainda, o que sentimos quando sabemos com segurança que a conquista da qual está nos falando pertence, realmente, a outra pessoa, e aquele que a está contando, não formou parte do mesmo?
Estas atitudes de arrogância, soberba e querer se sobressair, constantemente, levam a gerar rixas entre as pessoas. Ao contrário de construir relações, agir desta forma facilita o sentimento de rechaço da outra pessoa para conosco. Claramente, a Torá esta semana nos está presenteando novamente um ensinamento maravilhoso, baseado na experiência de Moshé Rabeinu, que poderia ter tomado esta atitude de se vangloriar por ter sido ele o líder do povo desde a saída do Egito, até a chegada a Israel. Porém, em todo momento,mostrou uma simplicidade e humildade que oxalá pudéssemos copiar. Sempre tentando transmitir ao povo aqueles ensinamentos que lhes serão úteis para viver de uma forma mais amena, solidária e de crescimento.
Durante a história, muitos foram os que nos ensinaram a respeito desta atitude de humildade que todo ser humano deveria possuir em todos os seus atos. Estes sustentam que não há nada pior em uma pessoa que ser soberbo e arrogante, mas por sua vez também ensinam que a humildade de todo homem é a melhor virtude que pode ter. Moshé quis inserir esta qualidade no povo, que fossem humildes e não acreditassem que foram eles os que conquistaram a terra de Israel por meios próprios.
Rabí Akiva em Pirkei Avot disse: HAKOL TZAFUI VEHARESHUT NETUNA. UVETOV HAOLAM NIDON, VEHAKOL LIFNEI ROV HAMAHASE”. Tudo está previsto, mas o homem tem o livre arbítrio; o mundo é julgado com benevolência, mas tudo depende da maioria de nossas ações.
Se conseguirmos agir com humildade, deixando a soberba e a arrogância de lado, contagiando assim nossos semelhantes, seguramente estaremos contribuindo muito neste Tikun Olam, correção deste mundo tão maravilhoso em que vivemos, e que tanto sente falta de atitudes menos agressivas e arrogantes.
Queira D’s que neste Shabat Kodesh possamos seguir o exemplo de Moshé, aprendendo com seus ensinamentos e assim conseguir decidir que tipo de pessoas queremos ser, sabendo que nossas ações não só repercutem em nós mesmos, senão também naqueles com quem interagimos.
Shabat Shalom Umevorach
Rabino Ari Oliszewski

Categorias: Parachá

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